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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

DIA DAS CRIANÇAS - Por Kathya

Nesse dia das crianças
Não direi apenas do meu Brasil
Gritarei a todos os povos
Da discriminação ao mundo infantil.
Dos adolescentes que sobrevivem
A fome, a miséria
A falta do mundo estudantil.
Lembrarei que somos responsáveis
Na Constituição de 1988
Do Estatuto que surgiu.
Nesse conjunto de leis
A criança é sujeito de direito
Tanto á vida quanto a saúde.
Não mais escola para os mais ricos
Nem a separação da família para que trabalhem.
Não podemos ser omissos
Enxergar e não ver.
- É preciso acolher!
Para mais tarde não sofrer.
Cabe ao adolescente o direito ao voto.
Aos deficientes, receber tratamento médico e educacional.
Trabalho para menores de quatorze anos é proibido
(salvo se na condição de aprendiz).
Os trabalhos noturnos são proibidos
Mas não é o que se vê por aí.
É expressamente proibida a venda de armas e explosivos
Bebidas alcoólicas, bilhetes de jogo e loteria.
E aos transgressores da lei?
- Que sejam internados em local adequado
E que possa ser auxiliados.
Porque também são filhos do País.
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Kathya é, dentre muitas outras coisas, minha amiga e autora do romance "O segredo do cadeado"

segunda-feira, 5 de abril de 2010

SOLIDÃO x SOLIDARIEDADE Por Kthyja

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.”... Difícil alguém expressar tão bem a esse vazio que preenche aos nossos sentidos quando questionamos a existência humana. No vocabulário de língua portuguesa a palavra "solidão" significa: estado de quem se sente ou está só – mas será que esse estado corresponde a solitário?
Creio se tratar de um sentimento de que algo ou alguém está faltando. Uma sensação de separatividade e desconexão com algo ainda inconsciente; a idéia da separação e do estar só é apenas uma ilusão, pois nada se vai totalmente e nada está separado. Direi que a solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade, talvez seja indecifrável, enigmático, quem sabe um registro da vida moderna. Muitos são os indivíduos e poucas são as pessoas.
É tudo tão corrido, tão apressado e ao mesmo instante tão fugaz, que não percebemos diante dos nossos olhos o pedido de socorro daquele que esta á nossa frente. Queremos justificar a essa falta de afeto e não encontramos as palavras; há um distanciamento tão repentinamente que tudo se torna disperso.
O percentual de pessoas que declararam não ter amigos confidentes cresceu assustadoramente. É comum ouvirmos “não posso confiar.” Sartre afirmou que acreditava numa solidão epistêmica, onde a solidão é parte fundamental da condição humana por causa do paradoxo entre o desejo consciente do homem de encontrar um significado dentro do isolamento e do vazio do universo. Entretanto, prefiro crer que os indivíduos precisam se engajar ativamente uns aos outros e formar o universo do companheirismo e da solidariedade.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Projeto Espicha Verão: Salvador/ Bahia Por Kthyja

Pergunto-me constantemente ate quando nós, seres humanos, poderemos nos identificar como espécie oriunda de um Ser Superior.
Observo insistentemente que o passar do tempo em nosso Brasil não significa respeito, dignidade; aliás, desde o nascimento, e a cada dia que passa, mais e mais são as criaturas jogadas como lixo humano.
Somos descartáveis, insignificantes, ou nos enganamos por trás de uma cortina nojenta chamada sociedade?
O passar dos tempos no reino dos irracionais demonstra respeito, culto ao mais velho como forma de aprendizado. Entretanto, os depósitos onde são jogados aqueles que não conseguiram o chamado patrimônio financeiro, é o reduto inevitável.
Mas, como “enriquecer” e tão ridiculamente ouvir colher os frutos do que plantou, se ate para os que conseguiram concluir o curso superior é desafiador? Os cursos e concurseiros lotam as salas e ali vivenciam utopias ao se imaginarem estabilizados (mal sabem que no “funil” poucos são os sobreviventes). E para se tornar gari, é preciso ter o curso médio – sim, isso mesmo. O curso que conduz a universidade. Parece ate piada, mas é verdade. Triste realidade!
O comércio ambulante se espalha pelas metrópoles e até pelo interior como uma praga, cujo inseticida é a guerra da caça de “gato e rato”: de um lado, fiscais em busca de fazer valer o que lhe disseram ser autoridade – apreender as mercadorias daqueles que conseguiram com muita luta adquirir o mínimo para tentar a sobrevivência; do outro, homens, mulheres e crianças de todas as idades e as chamadas classes sociais, buscando reerguer-se.
Para completar a esse triste quadro, a Bahia cria o projeto “Espicha Verão” dizendo ter como objetivo revitalizar o bairro da Barra, que já esta tão machucada com a depredação que ali se instalou, e ainda valorizar cantores da nossa baianidade (mas e onde estão esses cantores?).
O que se vê verdadeiramente são palcos mirabolantes montados na tentativa de esconder o desemprego, a miséria, a fome, as dores do nosso povo. Encontramos demarcação de áreas consideradas exclusiva de alguns; locais que poderiam se tornar em espaços higienizados com água potável e sanitários para os vendedores sendo privatizados, grupos folclóricos lutando para mostrar a reminiscência do nosso povo, que também era embalada por um grupo alegre e colorido de cantadores que conduziam a massa ao som de violas simples como a vida de um povo que envelhece e procura a tal dignidade.

Nota do Blogstorm:
Vale também conferir o artigo "O fundo da folia" em:

http://www.globalgarbage.org/blog/index.php/2010/03/05/o-fundo-da-folia/
Esse artigo fala da sujeira deixada pelo carnaval e projetos culturais no fundo do mar da barra.

Kthyja é uma grande amiga de muitos anos.
Se você gostou do texto acesse o blog Oficina literária em:

http://www.kthyjasegredos.blogspot.com