quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Desafio de um verdadeiro atleta









Desafio. Esta palavra pode ter muitos significados, porém na vida de Ricardo Serravalle ela tem representado mais que o cumprimento dos seus objetivos, foi este o responsável pela sua vitória perante os obstáculos impostos em sua vida.
Atleta desde a infância Ricardo teve passagens pelas categorias de base do Esporte Clube Bahia, pela natação, artes marciais, maratonas aquáticas e triathlon. Neste último, em julho de 2009, aos 32 anos quando se preparava para a Travessia a nado Mar Grande Salvador (14km em mar aberto) e uma prova de Triathlon Ironman (3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida) sofreu três AVC isquêmicos onde teve de ser submetido a um delicado procedimento para o implante de uma prótese cardíaca devido há um problema congênito no coração.
As dúvidas se iria sobreviver, se teria sequelas ou se poderia voltar ou não a pratica dos esportes permearam sua mente e produziram efeitos psicológicos devastadores. Com a ajuda dos familiares e médicos, após seis meses de recuperação ele já estava de volta aos treinamentos.
Mas o destino reservava ainda uma outra surpresa, apenas três meses após o seu retorno, numa partida de futebol com os amigos sofreu um grave acidente rompendo praticamente todos os ligamentos do seu tornozelo esquerdo, fraturando o tálus tibial, fíbula e sofrendo perda de cartilagens. Para recuperação foi realizada uma cirurgia de mosaicoplastia para reconstrução total do seu tornozelo com a colocação de quatro grandes parafusos e enxertos de cartilagens retirados do joelho esquerdo. Mais seis meses se passariam até que voltasse a encostar o pé no chão novamente. Os questionamentos sobre o porque daquilo tudo estar acontecendo emergiram novamente e, segundo o próprio Ricardo o conflito entre o que mandava o seu coração e o que dizia seu corpo foi um dos maiores desafios de sua vida.
“Pela primeira vez em minha vida acho que pude sentir um pouco o que é a depressão. Mas isso não durou muito, depois de algum tempo, ainda na fase de recuperação, decidi ouvir meu coração, afinal, não acho que deveria desistir. Fui atleta minha vida inteira, já me machuquei muito, não com tanta gravidade, mas amo o esporte. É como o ar que respiro, minha motivação para viver. Apesar de trabalhar na frente do computador, quando acaba o expediente me transformo numa espécie de super-herói e vou curtir meus desafios e realizações. Isso é o que dá prazer, isso é minha vida.”
Apesar de ter decido que não iria desistir dos esportes e consequentemente de sua alegria em viver Ricardo ainda tinha que passar por longas sessões de fisioterapia, afinal o estrago foi enorme, a cirurgia de reconstrução havia durado mais de seis horas e o seu médico, por precaução, não havia lhe dado muitas esperanças de um dia retornar as corridas.
Como um bom soldado seguiu à risca as recomendações médicas e logo estava de volta aos esportes se dedicando as provas de maratonas aquáticas enquanto ainda estava tentando a todo custo reabilitar o seu tornozelo.
Em maio de 2011, foram dados os primeiros trotes, mesmo que ainda de leve e, em julho, apesar de ainda sentir desconforto já estava correndo 07 km. Esta simples conquista o fez sonhar novamente em completar os objetivos traçados antes do AVC e do acidente com sua perna esquerda.
A Travessia a nado Mar Grande Salvador e o Ironman voltaram a sua mente como um grande desafio, desta feita não apenas para acalentar o seu espírito aventureiro, mas como o exemplo de superação para tantas pessoas que necessitam de estórias como essa como inspiração.
Após ouvir de várias pessoas que sua estória daria um belo livro. Ricardo, que também é escritor nas horas vagas, mesmo relutando inicialmente, repensou os conselhos e decidiu que este livro era praticamente uma obrigação.
“Se puder ajudar uma pessoa que seja já estarei realizado. Não penso em ganhar dinheiro com o livro, quero apenas ajudar as pessoas que passam ou passaram por dificuldades na vida e mostrar a elas que quando amamos algo, seja lá o que for, podemos vencer nossas limitações.”
Esta trajetória está sendo escrita e já tem título, se chama: “+ ALTO + RÁPIDO + FORTE. O Complexo do Super-Herói na Mente do Atleta”. Para tanto Ricardo conseguiu juntar ao projeto uma equipe multidisciplinar de primeira categoria que estão dedicados a tornar este sonho uma realidade.
Para quem deseja acompanhar este aventura basta acessar o blog do atleta. O internauta encontrará, além de todas as informações sobre o projeto e até um diário sobre esta aventura, muito conteúdo sobre esportes.
Todo este desafio para o livro ensejará em um ano e quatro meses de treinamentos e competições de alto rendimento, além de viagens, hospedagens e custos. Caso alguma empresa queira patrocinar este belo projeto poderá entrar em contato com o próprio Ricardo.





Para contatos e maiores informações acessem: www.ricardoserravalle.blogspot.com

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sou um fora-da-lei




Fui multado por pagar escola para os meus funcionários

Por Silvino Geremia (Entrevista para a Revista Exame)

Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam este país: investir em educação é contra a lei. Vocês não acreditam? Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa.
Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá. Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo. Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.
Este ano um fiscal do INSS visitou a empresa e entendeu que educação é salário indireto. Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS.
Tenho que pagar 26 000 reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários? Eu acho que não. Por isso recorri à Justiça. Não é pelo valor, é porque acho essa tributação um atentado. Estou revoltado. Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1 000 vezes.
O Estado brasileiro está falido. Mais da metade das crianças que iniciam a 1a série não conclui o ciclo básico. A Constituição diz que educação é direito do cidadão e dever do Estado. E quem é o Estado? Somos todos nós. Se a União não tem recursos e eu tenho, eu acho que devo pagar a escola dos meus funcionários.
Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado. Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz. Se a moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vão recuar.
Não temos mais tempo a perder. As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas. A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos.
Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz. Vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão-de-obra fria, sem registro algum.
Sou filho de família pobre, de pequenos agricultores, e não tive muito estudo. Completei o 1o grau aos 22 anos e, com dinheiro ganho no meu primeiro emprego, numa indústria de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, paguei uma escola técnica de eletromecânica. Cheguei a fazer vestibular e entrar na faculdade, mas nunca terminei o curso de Engenharia Mecânica por falta de tempo.
Eu precisava fazer minha empresa crescer. Até hoje me emociono quando vejo alguém se formar. Quis fazer com meus empregados o que gostaria que tivessem feito comigo. A cada ano cresce o valor que invisto em educação porque muitos funcionários já estão chegando à Universidade.
O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais. Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe. Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça.
Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer. E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade. O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualquer aproveitamento prático na Geremia. No mínimo, ele trabalhará mais feliz.
Meu sonho de consumo sempre foi uma Mercedes-Benz. Adiei sua realização várias vezes porque, como cidadão consciente do meu dever social, quis usar meu dinheiro para fazer alguma coisa pelos meus 280 empregados.
Com os valores que gastei no ano passado na educação deles, eu poderia ter comprado duas Mercedes. Teria mandado dinheiro para fora do país e não estaria me incomodando com leis absurdas. Mas não consigo fazer isso. Sou um teimoso.
No momento em que o modelo de Estado que faz tudo está sendo questionado, cabe uma outra pergunta. Quem vai fazer no seu lugar? Até agora, tem sido a iniciativa privada. Não conheço, felizmente, muitas empresas que tenham recebido o tratamento que a Geremia recebeu da Previdência por fazer o que é dever do Estado.
As que foram punidas preferiram se calar e, simplesmente, abandonar seus programas educacionais. Com esse alerta temo desestimular os que ainda não pagam os estudos de seus funcionários. Não é o meu objetivo.
Eu, pelo menos, continuarei ousando ser empresário, a despeito de eventuais crises, e não vou parar de investir no meu patrimônio mais precioso: as pessoas. Eu sou mesmo teimoso.

Matéria publicada na revista Exame edição 0619 disponível em http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0619/noticias/sou-um-fora-da-lei-m0049688?page=1&slug_name=sou-um-fora-da-lei-m0049688

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ainda haverá de passar muita água debaixo dessa ponte‏ por Káthya



Por ironia do destino buscamos acreditar –se tivermos o coração e a alma limpos – que as pessoas são capazes de mudar o seu temperamento hostil, discriminador e auto-suficiente diante das mazelas do mundo.
Em verdade, todos gostariam de viver eternamente o belo, o maravilhoso, o eterno viver. Porém, sabiamente somos determinados a sentir o frio, a dor, a perda, a morte.
Tudo o que esta no alto desaba a qualquer momento, e o que é pior, se a base que construímos não estiver sólida, não temos a menor escapatória, senão o desespero. Será, quem sabe, inesperado, agradecer por sentir que podemos nos surpreender não somente com a felicidade.
É interessante o quanto nos questionamos, bravejamos, e interrogamos, ao percebermos que a vida traça caminhos árduos. Também ficamos na expectativa do quando a sentença será proferida diante de alguém cuja insensatez e perfídia nos denota temor ou horror. Por que não reconhecer que até vibramos com aquilo o que poderíamos chamar de derrota ou castigo.
Mas o que é castigo para essas pessoas? Será que são capazes de compreender que estão sendo testadas ou convidadas a se redimirem da vaidade que lhes assola a alma? É necessário que surjam grandes pedras em nossa estrada para que os cascalhos sejam contemplados.
Se for verdade que para conseguimos o ápice da sociedade moderna será preciso nos tornar modelos de vaidade, é preciso lembrar-se da insensatez diante da imagem que será projetada de um ser humano frágil, vazio, incapaz de devolver ao seu próximo o amor mais puro que lhe será oferecido. Em nome de conquistas materiais, poderá ser capaz de estonteado pelo “falso poder”, debater-se em sua própria angústia, e dissociar-se dos grupos sociais a que realmente pertence, para mascarar-se diante da futilidade da sua própria existência.
E a tão cobiçada ascensão social será capaz de “abraçar” a essa criatura que na vã tentativa do poder esbarrou-se com convicções que transtornaram a sua espedaçada trajetória histórica? Quais serão as suas reais convicções?
Vivenciamos a um momento narcisista, onde as pessoas se voltam para a própria imagem, sendo incapazes de estender a mão para o seu semelhante. A vaidade e o egoísmo, ou para os crédulos, a falta de amor a Deus, nos conduz a vertiginosa queda humana, estamos deformados diante da vaidade, e a nossa alma apenas vaga diante da ilusão.
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Káthya tem alguns artigos publicados no blogstorm. Confira nos artigos anteriores.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Nada muda se você não mudar por Herval Filho

Recebi esta frase de um ex-gerente com o qual trabalhei durante um ano, após “reclamar” da situação profissional que me encontrava, em parte por ter acreditado nele e na minha capacidade de realizar minhas tarefas com zelo e profissionalismo extremos. Apenas isso não basta e ele tinha toda a razão. Com o passar dos anos de trabalho a experiência adquirida deve retroalimentar mudanças de postura quando nos deparamos com situações as quais não podemos ser protagonistas da mudança. Atualmente chamam isso de resiliência, termo este emprestado da física que caracteriza os indivíduos pela sua capacidade de lidar com problemas superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, etc. – sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003) que estudou a resiliência em organizações argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto de tomada de decisão entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer.
Confesso que em principio fiquei muito irritado com o conselho desse meu ex-gerente, mas hoje percebo que ele em muito me ajudou a mudar a minha forma de encarar as adversidades que surgiram e vão continuar a surgir na minha vida profissional. Mesmo me considerando um profissional com experiência e em vésperas de completar 32 anos de trabalho, hoje eu sei que nunca é tarde para mudarmos os nossos conceitos sem, contudo, perder a nossa essência e os valores éticos e profissionais que adquirimos ao longo dos anos, sobretudo pautados na nossa origem familiar.
Um grande erro que todos nós cometemos é o da miopia corporativa. A miopia se caracteriza pela dificuldade em enxergar os objetos colocados à distância. Profissionalmente associamos essa “miopia” pela dificuldade de enxergar aquilo que não está ao alcance do papel que desempenhamos na estrutura organizacional. Traduzindo isso para uma linguagem mais palatável seria algo como não enxergar o que está por detrás das cortinas do poder. Cada um de nós é uma peça que move uma grande engrenagem corporativa. Disso temos que ter a consciência. Num grande tabuleiro de xadrez quem é sacrificado em primeiro lugar? Respondeu certo quem disse que são os peões. Eu, particularmente, não conheço nenhum jogador de xadrez que entregue a sua rainha de mão beijada. No caso em voga, citado no começo desse artigo, a minha reclamação foi porque não gostei de fazer o papel de peão num determinado jogo de xadrez corporativo. Hoje, entendo que aquele meu ex-gerente atuava como um cavalo e aqueles que conhecem os movimentos que faz um cavalo no jogo de xadrez sabem que este ocupa muitas casas fora do alcance dos seus adversários. Cabe a mim, exclusivamente, agir para não ser sempre o peão a ser sacrificado nas próximas partidas de um jogo corporativo. O processo de mudança ao qual me refiro nada tem que ver como atitudes revanchistas. Ao contrário do que pode parecer esse artigo, quando citam experiências negativas, o processo de mudança é interno, gradual e constante, porque necessita de internalização de novos conceitos, dentre eles o de aceitação das nossas limitações. O ser humano está em contínuo processo evolutivo e mudanças são importantes para garantir a sua sobrevivência, seja ela no mundo animal ou, nesse caso, no mundo corporativo. Comece mudando sua visão idílica do trabalho. Procure ser alguém que escuta mais, fala menos (low profile) e age não apenas proativamente, se antecipando às jogadas nesse tabuleiro empresarial, mas, sobretudo, descobrindo quem é que move os jogadores e não apenas os que atuam fazendo o papel de cavalos, torres ou bispos. A rainha também pode ser sacrificada nesse jogo, mas o importante é preservar o rei. Descubra quem preserva o rei e seus dias de peão ficarão apenas como lembranças do passado.
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Herval Filho é um grande amigo e já escreveu no Blogstorm o artigo "Corrida de Bigas". Veja no arquivo do blog de fevereiro de 2010.
Siga Herval Filho no Tweeter: @hervalfilho

sábado, 2 de julho de 2011

Ciência também é arte! Por Assis Garcez

Educação artística, muito bom! Proporcionar às crianças em situação de risco o contato com a arte é extremamente salutar, fazer com que saiam do seu cotidiano, seu mundo um tanto restrito pela falta e sua realidade onde ser criança – é não ser. ONGs; instituições públicas, privadas e religiosas; ações da sociedade civil; existem, é verdade. Ver, saber que tais crianças estão aprendendo tocar instrumentos musicais, até mesmo de latas confeccionadas por elas é gratificante. Mas isso basta?

Curiosidade. É sempre bom ter. Ciências, afinal é bom ou não conhecer?

Oportunidades. Oportunidade de aprender, de conhecer – de entender como a miséria - injustiça social – é mãe de muitos artistas, pessoas que tiveram oportunidades e conseguiram abraçar ideias e assim saíram de tal situação – miséria. Mas a pobreza somente pode ou deve ser mãe de artistas?

Cientistas, físicos, matemáticos, engenheiros; serão até quando órfãos da pródiga mãe – injustiça social?

Seria ditadura das artes, oferecer na maioria das vezes à essas crianças os tambores, a dança, os jogos, a oportunidade em aprender fazer instrumentos musicais com materiais reciclados?

A sobrevivência dos pandas, micos e afins, não depende da ciência? A salvação do planeta - megalomania? - Não depende em maior proporção da ciência? Ou somente educação resolve? Resolve para quem tem a consciência pesando uma tonelada em tanto jogar comida fora.

Instituições de ensino e religiosas, empresas e Ongs; promover ações voltadas ao estímulo da curiosidade científica é oferecer oportunidade a quem não tem muitas a aproveitar, afinal; nem só com tambor se estimula cidadania à crianças em situação de risco; ciência também é educação, e a propagação através do lúdico com apresentações de oficinas e experiências científicas para crianças - tem a força de criar chances para que tenhamos cientistas, tecnólogos, engenheiros e físicos vindo do improvável.
Assis garceZ - Um grande amigo, fotógrafo profissional e editor do blog - varalrevista. (varalrevista.blogspot.com)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que pode levar alguém a escrever um livro? Por Evandro Daolio




A idéia de começar a escrever sobre minha vida vem de longe. Muitos amigos sugeriam que por diversas vezes eu o fizesse, quando presenciavam algum acontecimento engraçado sobre minha vida. Nunca imaginei que isso seria possível. Achava graça nas sugestões e esquecia-me do assunto logo em seguida.
Uma vez pensei em um título para o suposto livro. Não possuía a menor intenção de escrever, mas brinquei de imaginar qual seria o título se o fizesse. Sem um título acho que não teria começado. O empurrão inicial que me levou ao atual título surgiu há pouco tempo, no banho, enquanto a água fria do chuveiro caía sobre meu rosto. Em casa, tomando aqueles banhos longos em que a gente fica enchendo a boca de água e depois soltando como se fosse uma baba, (sei que você já fez isso) tentei pegar com os pés (por causa da preguiça) um micro sabonete que sobrou no chão e já ia sumindo pelo ralo. Não consegui. Como estava sozinho (sem aquele pessoal que freqüenta os chuveiros dos vestiários masculinos e vivem esperando você se abaixar para assobiarem) não vi mal em abaixar para pegá-lo.

Mas sabe... não entendo até hoje porque o box de casa, além de ter apenas um metro e meio quadrado, tem uma torneira na parede a apenas meio metro do chão e foi nela que sentei com tudo:

— Aaaaaaaaaiiiiiiiii... ai... aiaiaiai!!!!! – gritei desesperado.

A dor, inimaginável para você, foi no local que chamam de cóccix, aquele ossinho que você também tem. Veja então a seqüência: ao bater o cóccix, a torneira abriu, jogou água no resto do sabonete que já estava se desfazendo no chão, ensaboou tudo e vlapt! Mesmo de cócoras, minhas pernas foram para o ar e aquele barulho ridículo de pele batendo na água e no chão aconteceu; fora a cabeçada, para fechar o show.

Mas aposto que você se esqueceu do tamanho do box e não imaginou que minhas pernas ficaram para cima. Não imaginou que com o resto do corpo esticado no chão, fiquei preso e imóvel com a água caindo diretamente no meu rosto:

— Calma — refleti, tomando cuidado para não chamar a atenção da família.

Observei minha posição, mas não muito, pois uso lentes de contato e não dava para manter os olhos abertos com a água batendo no rosto. Corria o risco delas irem pelo ralo... Nem sequer pude pedir ajuda. Tenho mais três irmãos que iam querer fotografar antes de me ajudar.

Somente agora você pode ter para sempre em sua memória, a exata posição em que me encontrava ao pensar no título para o livro que tão bem se encaixa em minha vida.

Na mesma noite, deitado e enfaixado na minha cama, comecei a escrever...

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Evandro A. Daolio é escritor, autor dos livros "Ria da minha vida antes que eu ria da sua" Os volumes 1, 2 e 3 são hilários e essa semana foi lançado o volume 4 dessa série intitulado "Ria da Sua Vida 4 e da minha ainda mais". Conheça um pouco mais de Evandro no site www.riadaminhavida.com.br e adquira os livros nas livrarias Saraiva e Cultura ou nos seus respectivos sites.

Siga Evandro no Twitter: @Evandrodaolio

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Viram no que Deu? Por Percival Puggina



Era de se imaginar que maconheiros, traficantes, falsos progressistas, defensores do relativismo moral, partidários da tolerância com o intolerável, turma do politicamente correto, bem como seus assemelhados na esfera política onde todos gravitam, se encantassem com as mais recentes decisões do Supremo. Afinal, o Brasil está ficando como eles querem e o STF levando os descontentes a entender quem é que manda no pedaço.

Viva! A decisão sobre a reserva Raposa Serra do Sol foi um sucesso cívico: conseguiu lançar indígenas e colonos na miséria. Viva! No Brasil já se pode jogar embriões humanos no vaso e puxar a descarga. Viva! Battisti só não terá cidadania brasileira se não quiser, que qualificações não lhe faltam. Viva! Quando a Constituição Federal fala em homem e mulher enuncia apenas um estereótipo, um clichê em desuso, para representar qualquer tipo de encaixe. Viva! A marcha pela maconha é uma festa da cidadania patropi. E deve virar feriado nacional.

Li e reli as atribuições constitucionais do STF. Em nenhum lugar lhe foi outorgada a função de precursoria, de vanguarda social, incumbido de levar a nação, pelo nariz e a contragosto, para onde apontam os narizes e os gostos de seus membros. Já não falo em substituir-se ao Congresso Nacional que esse está nem aí para o que acontece, contanto que não faltem cargos e emendas necessárias à preservação dos mandatos. Raríssimas vozes se ouvem, ali, apontando os devidos limites às vontades da Corte.

Mas o que está acontecendo eram favas contadas. A partir de Fernando Henrique Cardoso, por 16 anos consecutivos, as indicações para o STF são buscadas no mesmo nicho. Embora a esquerda goste de dizer que FHC era neoliberal, o fato é que ele e Lula pertencem à mesma extração esquerdista, com diferenças apenas no nível intelectual. FHC é um Lula de salão nobre, com doutorado, ao passo que Lula é um FHC de piquete grevista e curso primário. Lula defende a cachaça e FHC, no melhor estilo da esquerda dos anos 60, de Woodstock, da contracultura, oitentão modernoso que é, defende a maconha. Aparta-os a política, não as ideias. Os indicados por ambos formam 80% do Supremo e não faz muita diferença o fato de que Lula tenha escolhido boa parte dos seus no partido e no partidão. As cabeças são parecidas. As disputas que por vezes se esboçam entre eles são, essencialmente, de beleza. Temas para espelho mágico. De nada vale, então, aguardar o futuro porque o futuro não nos reserva algo melhor. Os ministros mais antigos e mais próximos da compulsória são os dois Mello - o Celso e o Marco Aurélio. Estão piorando com a idade e com a vaidade. Gravitam no mesmo círculo filosófico dos demais. E só saem, respectivamente, em 2015 e 2018.

Viram no que deu, este país ficar votando compulsivamente na esquerda? A mesma sociedade, majoritariamente conservadora, cristã, consciente da importância dos valores tradicionais, ao votar na esquerda por motivos menores, é obrigada a assistir suas posições maiores - religiosas, filosóficas e morais - serem desrespeitadas e ridicularizadas nos votos e nas decisões dos ministros do Supremo.
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Percival Puggina (66) é titular do blog www.puggina.org, arquiteto, empresário e escritor, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões. Puggina gentilmente nos autorizou a publicação de seus artigos.
Siga Puggina no Twitter: @percivalpuggina

terça-feira, 31 de maio de 2011

Homofobia, uma idiotice sem tamanho - Por Fernando Camelier









As pessoas ficam divididas por um assunto que é tão básico. Cada pessoa tem o direito de escolher a sua parceria sexual e isso é algo que cabe a cada um não tendo o outro nada a ver com isso.
Agora se deve ter em mente que direitos também trazem atrelados os deveres e o respeito ao próximo é o mais importante de todos.
Por exemplo, nas passeatas gays se vêem milhares de pessoas demonstrando publicamente o afeto sexual que tem uns pelos outros esquecendo que em uma relação o mais importante é que se resguarde a imagem de seu parceiro e a sua própria.
Recebi recentemente um e-mail com uma carta aberta de um gay que, pelo que me parece, é um dos poucos sensatos que existem por aí.
Resumindo, essa carta diz que ele se sente normal como qualquer heterossexual e em sua opinião, expressar sexualidade é uma doença.
Depravados, pedófilos, pervertidos machões mulherengos e bichas loucas estão no mesmo barco. Paradas gays são uma apologia à bizarrice e ao uso de drogas em que ele chama de movimento de bichas enlouquecidas que querem transformar o mundo em um grande puteiro-hospício gay.
Aceitação é simples e deveria ser normal, aceitar a sexualidade de cada um é algo que não vai tirar pedaço de ninguém, desde que isso não influa em si próprio. É aquele lance de “O seu direito termina onde começa o direito do próximo”.
Não vou aprofundar o assunto, pois esse não é o foco, mas alertar que existem muitas outras coisas mais importantes pra se preocupar, como por exemplo, a corrupção que gera a falta de cultura e educação que estão presentes em TODOS os setores da sociedade.
Com esse artigo não quero julgar quem esteja certo ou errado, apenas quero demonstrar que em todos os lados há disparidades que ao serem corrigidas farão com que o mundo seja um lugar melhor de se viver. Precisamos acabar com a intolerância em todos os sentidos e procurar viver uma vida de paz.

sábado, 21 de maio de 2011

Ensaio do Professor Rei


Tenho viajado semanalmente de São Paulo para Belo Horizonte, às vezes para Salvador, Joinville e Brasília. Nas últimas semanas tenho observado melhor o movimentos, especialmente nos aeroportos. Chego em Guarulhos por volta de 5h da manhã. São filas de táxis, filas para check-in, filas para se tomar um café (tem dia que eu desisto), filas e aglomerados de gente nas salas de embarque. Voos lotados. O mesmo se repete no desembarque no destino final da viagem. Mal o avião para já tem gente que vem do fundo da aeronave e se posta lá na frente. Depois, as mesmas filas (em BH tem a fila do banheiro também).

Daí eu tenho pensado: prá que tudo isso? Por que? Será mesmo preciso esse movimento todo? E essa pressa?

Será que não podemos fazer as mesmas coisas, obter os mesmo resultados ou até melhores fazendo as coisas com mais calma, mais “devagar”? Prá que essa competição desenfreada? Isso está nos levando aonde?

A pressa parece que ficou decretada pela internet e pelos processadores cada vez mais rápidos de que dispomos. É incrível como a gente não tem paciência de esperar poucos segundos para acessar uma informação (e criticamos o sistema que está lento). Aí obtemos a informação e fazemos o que com ela? Que decisão tomamos? O que ela acrescenta?

Em meio a essa confusão toda, em que melhoramos como pessoas?

Tudo parece ter como pano de fundo a competição. Odeio esses programas de televisão, principalmente entre candidatos a chefes de cozinha, em que tudo tem que ser feito rápido senão o pobre coitado será eliminado. Precisa mesmo disso tudo?

Parece que o foco da sociedade é o resultado e não o resultado através de pessoas felizes e saudáveis.

Tudo é “fast”, mesmo com alguns equívocos... Por exemplo, a “fast food” não é uma comida rápida. É um comer rápido, já que a comida, até nos ser apresentada pronta, percorre um longo caminho, às vezes atravessa continentes... Precisamos ou devemos mesmo comer tão rápido?

E o “ fast” também vira um padrão de comportamento, de reconhecimento. As pessoas querem aparentar serem muito rápidas em tudo para terem diferenciação, para estarem integradas... mas e os resultados? E as pessoas? E a felicidade? Afinal, para que nós vivemos?

Isso é só um desabafo... Vamos pelo menos tentar ser felizes.
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Reinaldo Moreira foi meu professor de Logística na FIB (Estácio de Sá), um dos professores que mais me ajudaram a entender que aprender era algo fácil.

domingo, 15 de maio de 2011

Webjet: Suicídio nos ares por Káthya


Comprei o bilhete aéreo através da internet saindo de Salvador com destino a Fortaleza no vôo 5834 saindo às 15h33min e chegada ás 17h20min h; ao falar com amigos fui alvo de gozação tipo: “vai de “buzu” /ônibus que voa, cuidado porque você poderá tentar levantar, e o assento não se desprende de tão apertado que fica o espaço para as pernas, a tripulação deve ter feito curso para transporte rodoviário, o que vai deixar de herança para os amigos, já fez o testamento “... E por aí vai. Confesso que até briguei e arrisquei.
Ao chegar para despachar a mala encontrei várias pessoas que se amontoavam, e não sabiam a quem se dirigir vez que no balcão da companhia não havia informação do cancelamento do vôo. Sem ainda acreditar e após várias tentativas fui informada de que deveríamos aguardar até ás 16 horas para ir ao balcão da TAM. Pensei comigo mesma: Isso não esta acontecendo!
De repente, uma moça ainda com ar de quem estava acordando diz:
- Cheguei agora e só sei que houve problema na aeronave, falem com a supervisora.
Procurei a tal pessoa e fui atendida por um homem que era da Empresa e apenas confirmou que não haveria o vôo, que também achava um absurdo, que sentia muito se eu teria prejuízos em negócios com hora marcada em meu destino, mas ele não tinha jeito a dar.
Liguei para a ANAC prestei reclamação, recebi número de protocolo, porém sentei e esperei até ás 20h43min h quando embarquei na TAM e fui cordialmente tratada por toda a equipe desde o balcão no aeroporto até o desembarque.
Entretanto, o que seria de mim que já estava com o bilhete para retornar no domingo pela webjet no vôo 6720 ás 15.37 horas? Mais uma vez preferi não pensar no pior e quando o tal webjegue decola, o desespero: um calor insuportável, passageiros reclamando em voz alta, as aeromoças (?) despreparadas e mal educadas, o caos estava estabelecido e o jeito foi orar.
E DEUS nos ouviu porque ao pousar estupidamente no Aeroporto Luís Eduardo Magalhães ouvimos um estouro tremendo, um fedor de fuselagem queimando, e antes mesmo que ouvíssemos a mensagem para levantar estávamos de pé, e aterrorizados ouvimos em voz alta a tripulação comentar acidente com a aeronave.
Só me restou olhar para os que ainda iriam até Porto Alegre e dizer: CORAGEM! Se trocarem para outra companhia agradeça e siga rápido, pois só posso sugerir que a WEBJET inove oferecendo pacotes com as aeronaves em solo para que as crianças possam ter idéia do que poderia ser um avião... Nem pensar em voar!
Respeito, dignidade, cordialidade, segurança, princípios básicos para com os deveres da aviação estão totalmente desconhecidos quando se trata da WEBJET, portanto se pretende arriscar a sua vida, siga em frente e cometa um suicídio nos ares.
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Káthya tem alguns artigos publicados no blogstorm. Confira nos artigos anteriores.
Putz... Depois desse relato nem pensar mais em voar na Webjet. Na Web só navegar...