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domingo, 20 de maio de 2012

Nota de repúdio Por Servidores da Anatel Bahia

Os servidores da Anatel lotados no Escritório Regional da Bahia- ER08 editaram Nota de Repúdio contra a atual gestão da Anatel.

Nota de repúdio

Servidores da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel, lotados no Escritório Regional da Bahia – ER08, reunidos no dia 16 de maio de 2012, manifestam o seu total repúdio à Portaria nº 461/2012, que anula artigos da Portaria 430/2009, retirando uma ...séria de conquistas benéficas para a sociedade e o serviço público.

Repudiam, ainda, a postura autoritária e déspota do Presidente do Conselho Diretor, João Batista de Rezende, que:

a) Evita manter o diálogo constante com os representantes da categoria, agindo de modo arbitrário em decisões que interferem diretamente no cotidiano dos servidores;
b) Faltou com a transparência e não trouxe à tona a discussão com os servidores sobre as intenções acerca do tema, ao arrepio da Lei nº 12.527, de 18 de novembro 2011;
c) Não apresentou qualquer motivação legítima para alterar a jornada estabelecida na Portaria nº 430, de 2009, baseando sua decisões em parecer absolutamente opinativo e extremamente contestável;
d) Não considerou os indicadores de aumento de produtividade destacados pela gestão anterior;
e) Desconsiderou o impacto negativo da anulação dos artigos da Portaria nº 430, de 2009, tanto à Administração Pública como aos servidores;
f) Desconsiderou o parecer emitido pelo Tribunal de Contas da União – TCU acerca do tema;
g) Não dá transparência aos processos seletivos para cargos comissionados, descumprindo o disposto nos artigos 27 e 33 da Lei nº 10.871, de 20 de maio de 2004;
h) Traz desequilíbrio ao clima organizacional da instituição;
i) Adota visão retrógrada de gestão de recursos humanos.
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Nota do Sinagências:
O sentimento dos servidores é que a Anatel vem sendo sucateada. Pensávamos que o novo governo iria trabalhar para o fortalecimento das Agências -- como bem dito pela Presidenta Dilma em seu discurso de posse -- entretanto, o que se vê é uma busca pelo enfraquecimento das Agências para que não exerça de forma eficiente o seu dever. Algumas ...medidas mostram este enfraquecimento: o quadro de funcionários é pequeno para atender as demandas da sociedade; questões orçamentárias, diárias e passagens, benefícios de servidores que são autorizados pelo Ministério das Comunicações; dentre outros. Será que não deveríamos ter mais independência?
Quanto à gestão dos recursos humanos o problema vem aumentando: vários servidores têm deixado a Agência para servirem a outros órgãos, os contratos terceirizados foram cancelados, o posto médico foi fechado, não há estagiários suficientes, e agora acabaram com o horário flexível e corrido que era considerado pelos colegas um benefício enorme. Esta última atitude configurou a "gota d'água" para os servidores.
Acreditamos que a gestão anterior tinha uma visão moderna e preocupada com o bem-estar do servidor e defendia a autonomia das agências. Por outro lado, na nova gestão, o pensamento é de que as agências não possuem autonomia administrativa e que a prerrogativa é da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento.
Hoje fomos informados que a portaria instituída pela gestão anterior foi considerada ilegal, não teremos mais o horário de 7h + 1h de sobreaviso e que teremos 30 dias para nos adaptar ao novo modelo. Ora, 30 dias? Imagine só o transtorno que teremos para estruturar neste curto tempo tudo aquilo que vem sendo feito e organizado por 3 anos. Hoje eu acompanhava os estudos da minha filha pequena em casa, marcava médicos e tratamentos sem precisar sair do horário de trabalho, fugia dos engarrafamentos, ia a academia e podia levar minha filha também, ganhava tempo de qualidade com a minha família e cuidava da saúde - ganhava em qualidade de vida!
O interessante é que adotamos este modelo chamado HFlex há 3 (três) anos e havia um respaldo do TCU que entendeu que a Anatel tem sim autonomia para gerenciar os seus recursos humanos. Inclusive, outros órgãos adotam modelos parecidos de jornada de trabalho tais como Banco Central, Receita Federal, CGU, TCU e outros.
Além disso, foram realizados estudos que demonstraram resultados positivos do horário flexível, sendo um deles o um aumento no horário de atendimento ao público que passou a ser das 7h às 20h ininterruptas ao invés das 8h às 18h. Se contar ainda com o nível de motivação dos servidores e o clima organizacional que melhoraram muito, a perda é ainda maior. Consideramos o HFlex uma conquista, um benefício e uma demonstração de valorização do servidor por parte da alta gestão. Vários países do mundo vêm buscando trabalhar em prol do resultado organizacional com a determinação de garantir da qualidade de vida dos seus funcionários.
Esta atitude foi a "gota d'água" mesmo, o descrédito, a indignação e a tristeza dos funcionários é notória. Ontem viemos vestidos de "preto" para mostrar o nosso luto. Estamos mobilizados e assustados com as novas atitudes da nova gestão da Anatel.

Ademais, neste momento, cabe a nós servidores tentar entender o que configura essa tal de autonomia das agências reguladoras em regime especial? Será que existe mesmo? Até aonde vai?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Defesa de um modelo Por Ronaldo Mota Sardenberg

Matéria publicada no Globo em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/01/31/defesa-de-um-modelo-923646777.asp no dia 31/01/2011.


As agências reguladoras são de grande relevância no cenário institucional brasileiro. A Agência Nacional de Telecomunicações, Anatel, foi a primeira instalada no Brasil, há 13 anos, com o objetivo de regulamentar, fiscalizar e outorgar serviços públicos. Para isso, alicerçou-se na universalização, na competição e na qualidade dos serviços.
Os êxitos do atual modelo das telecomunicações são fruto, entre outros fatores, da atuação da Agência na organização do mercado, por meio de marco regulatório consistente, e na correção e punição de condutas irregulares. O consumidor, o cidadão brasileiro, pode contar com o empenho da Anatel em propiciar as condições para que ele possa exercer plenamente seu direito à comunicação e, assim, desempenhar atividades essenciais ao seu crescimento social, cultural e econômico.
Exemplo da preocupação da Anatel com os usuários de serviços de telecomunicações está no lançamento pela Agência, há dois meses, do Plano de Ação Pró-Usuários, conjunto de esforços para ampliar a participação da sociedade no processo regulatório, contemplar com recursos os mecanismos de controle social e fortalecer a promoção da proteção dos direitos dos consumidores dos serviços de telecomunicações, no âmbito da Anatel.
Não se pode deixar de mencionar a recente revisão do Regulamento sobre Áreas Locais para o Serviço Telefônico Fixo Comutado, que permitirá a realização de chamadas telefônicas a custo de ligação local entre todos os municípios de uma mesma região metropolitana ou de região integrada de desenvolvimento que possuam continuidade geográfica e o mesmo código nacional de área. As novas regras deverão beneficiar quase 70 milhões de pessoas em todo o Brasil.
Hoje, todos os municípios contam com os benefícios das telefonias fixa e móvel. Em 2010, o Brasil superou a marca de 200 milhões de celulares, com mais de um celular por brasileiro - índice que coloca o País na quinta melhor posição mundial - e a telefonia fixa conta com cerca de 60 milhões de acessos instalados. A competição é uma realidade na telefonia móvel e na TV por assinatura, e ninguém melhor que o consumidor para atestar os avanços conquistados.
A Agência também tem adotado providências para que redes e serviços sejam suficientes ao cumprimento dos compromissos firmados pelo País para a realização de eventos esportivos de projeção internacional. Desde 2007, por ocasião dos preparativos aos Jogos Pan-Americanos, a Anatel definiu um grupo de técnicos que se reúne periodicamente com o objetivo de realizar ações para atendimento adequado às demandas de eventos como o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, o carnaval do Rio, os Jogos Mundiais Militares (2011), a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).
A qualidade dos serviços de telecomunicações, no entanto, precisa avançar e é permanentemente objeto da fiscalização da Anatel junto às prestadoras. Na visão da Agência, fiscalizar é zelar pela continuidade e pela qualidade dos serviços, bem como pelo atendimento adequado aos usuários.
Na era da informação, com a evolução da tecnologia analógica para a digital, é fundamental que a Anatel tenha plenas condições de combater o número crescente de reclamações e a repetição de falhas que afligem os consumidores. É inaceitável a perpetuação dos altos índices de reclamações, como os erros de cobrança em conta - maior ofensor registrado pela Central de Atendimento, que apenas em 2010 registrou mais de 3 milhões de ocorrências. O trabalho de proteção e defesa dos direitos dos consumidores é esperado e cobrado pela sociedade; trata-se de missão estabelecida na lei de criação da Agência e na própria Constituição.
Nesse sentido, a Anatel trabalha para aprimorar sua fiscalização, sem descuidar da garantia constitucional do sigilo dos dados pessoais dos usuários, passando a processar de forma informatizada, com maior confiabilidade e agilidade, as informações fornecidas pelas empresas.
Os softwares de análise de registros de chamadas, adquiridos pela Agência, como recentemente noticiado, permitem acesso a informações brutas numéricas e codificadas, não relacionadas a dados cadastrais de usuários.
Com elas, será possível confrontar informações sistêmicas com padrões de tarifação - sem invadir a privacidade dos consumidores. Os aplicativos não permitem acesso remoto, nem em tempo real, ao tráfego das centrais; eles apenas leem as informações encaminhadas pelas prestadoras, para adoção de providências pela Anatel.
Esse procedimento é rotineiro e executado, desde a criação da Anatel, a partir de dados fornecidos pelas empresas para aferir a qualidade e a confiabilidade dos serviços e para atender a reclamações específicas de usuários. Sem essas informações, tendo em vista o crescimento do setor, vai-se tornando cada vez mais difícil fiscalizar o cumprimento das obrigações legais e regulamentares impostas às prestadoras.
É importante reafirmar que a fiscalização da Agência não tem, nem terá, acesso ao conteúdo das comunicações, ou seja, às conversas e mensagens trocadas entre os usuários.
A Anatel tem pautado sua atuação pelo respeito ao marco constitucional e legal, de forma a preservar e zelar pelo sigilo dos dados privados de usuários e de regulados.
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RONALDO MOTA SARDENBERG é presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).