sábado, 2 de julho de 2011

Ciência também é arte! Por Assis Garcez

Educação artística, muito bom! Proporcionar às crianças em situação de risco o contato com a arte é extremamente salutar, fazer com que saiam do seu cotidiano, seu mundo um tanto restrito pela falta e sua realidade onde ser criança – é não ser. ONGs; instituições públicas, privadas e religiosas; ações da sociedade civil; existem, é verdade. Ver, saber que tais crianças estão aprendendo tocar instrumentos musicais, até mesmo de latas confeccionadas por elas é gratificante. Mas isso basta?

Curiosidade. É sempre bom ter. Ciências, afinal é bom ou não conhecer?

Oportunidades. Oportunidade de aprender, de conhecer – de entender como a miséria - injustiça social – é mãe de muitos artistas, pessoas que tiveram oportunidades e conseguiram abraçar ideias e assim saíram de tal situação – miséria. Mas a pobreza somente pode ou deve ser mãe de artistas?

Cientistas, físicos, matemáticos, engenheiros; serão até quando órfãos da pródiga mãe – injustiça social?

Seria ditadura das artes, oferecer na maioria das vezes à essas crianças os tambores, a dança, os jogos, a oportunidade em aprender fazer instrumentos musicais com materiais reciclados?

A sobrevivência dos pandas, micos e afins, não depende da ciência? A salvação do planeta - megalomania? - Não depende em maior proporção da ciência? Ou somente educação resolve? Resolve para quem tem a consciência pesando uma tonelada em tanto jogar comida fora.

Instituições de ensino e religiosas, empresas e Ongs; promover ações voltadas ao estímulo da curiosidade científica é oferecer oportunidade a quem não tem muitas a aproveitar, afinal; nem só com tambor se estimula cidadania à crianças em situação de risco; ciência também é educação, e a propagação através do lúdico com apresentações de oficinas e experiências científicas para crianças - tem a força de criar chances para que tenhamos cientistas, tecnólogos, engenheiros e físicos vindo do improvável.
Assis garceZ - Um grande amigo, fotógrafo profissional e editor do blog - varalrevista. (varalrevista.blogspot.com)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que pode levar alguém a escrever um livro? Por Evandro Daolio




A idéia de começar a escrever sobre minha vida vem de longe. Muitos amigos sugeriam que por diversas vezes eu o fizesse, quando presenciavam algum acontecimento engraçado sobre minha vida. Nunca imaginei que isso seria possível. Achava graça nas sugestões e esquecia-me do assunto logo em seguida.
Uma vez pensei em um título para o suposto livro. Não possuía a menor intenção de escrever, mas brinquei de imaginar qual seria o título se o fizesse. Sem um título acho que não teria começado. O empurrão inicial que me levou ao atual título surgiu há pouco tempo, no banho, enquanto a água fria do chuveiro caía sobre meu rosto. Em casa, tomando aqueles banhos longos em que a gente fica enchendo a boca de água e depois soltando como se fosse uma baba, (sei que você já fez isso) tentei pegar com os pés (por causa da preguiça) um micro sabonete que sobrou no chão e já ia sumindo pelo ralo. Não consegui. Como estava sozinho (sem aquele pessoal que freqüenta os chuveiros dos vestiários masculinos e vivem esperando você se abaixar para assobiarem) não vi mal em abaixar para pegá-lo.

Mas sabe... não entendo até hoje porque o box de casa, além de ter apenas um metro e meio quadrado, tem uma torneira na parede a apenas meio metro do chão e foi nela que sentei com tudo:

— Aaaaaaaaaiiiiiiiii... ai... aiaiaiai!!!!! – gritei desesperado.

A dor, inimaginável para você, foi no local que chamam de cóccix, aquele ossinho que você também tem. Veja então a seqüência: ao bater o cóccix, a torneira abriu, jogou água no resto do sabonete que já estava se desfazendo no chão, ensaboou tudo e vlapt! Mesmo de cócoras, minhas pernas foram para o ar e aquele barulho ridículo de pele batendo na água e no chão aconteceu; fora a cabeçada, para fechar o show.

Mas aposto que você se esqueceu do tamanho do box e não imaginou que minhas pernas ficaram para cima. Não imaginou que com o resto do corpo esticado no chão, fiquei preso e imóvel com a água caindo diretamente no meu rosto:

— Calma — refleti, tomando cuidado para não chamar a atenção da família.

Observei minha posição, mas não muito, pois uso lentes de contato e não dava para manter os olhos abertos com a água batendo no rosto. Corria o risco delas irem pelo ralo... Nem sequer pude pedir ajuda. Tenho mais três irmãos que iam querer fotografar antes de me ajudar.

Somente agora você pode ter para sempre em sua memória, a exata posição em que me encontrava ao pensar no título para o livro que tão bem se encaixa em minha vida.

Na mesma noite, deitado e enfaixado na minha cama, comecei a escrever...

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Evandro A. Daolio é escritor, autor dos livros "Ria da minha vida antes que eu ria da sua" Os volumes 1, 2 e 3 são hilários e essa semana foi lançado o volume 4 dessa série intitulado "Ria da Sua Vida 4 e da minha ainda mais". Conheça um pouco mais de Evandro no site www.riadaminhavida.com.br e adquira os livros nas livrarias Saraiva e Cultura ou nos seus respectivos sites.

Siga Evandro no Twitter: @Evandrodaolio

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Viram no que Deu? Por Percival Puggina



Era de se imaginar que maconheiros, traficantes, falsos progressistas, defensores do relativismo moral, partidários da tolerância com o intolerável, turma do politicamente correto, bem como seus assemelhados na esfera política onde todos gravitam, se encantassem com as mais recentes decisões do Supremo. Afinal, o Brasil está ficando como eles querem e o STF levando os descontentes a entender quem é que manda no pedaço.

Viva! A decisão sobre a reserva Raposa Serra do Sol foi um sucesso cívico: conseguiu lançar indígenas e colonos na miséria. Viva! No Brasil já se pode jogar embriões humanos no vaso e puxar a descarga. Viva! Battisti só não terá cidadania brasileira se não quiser, que qualificações não lhe faltam. Viva! Quando a Constituição Federal fala em homem e mulher enuncia apenas um estereótipo, um clichê em desuso, para representar qualquer tipo de encaixe. Viva! A marcha pela maconha é uma festa da cidadania patropi. E deve virar feriado nacional.

Li e reli as atribuições constitucionais do STF. Em nenhum lugar lhe foi outorgada a função de precursoria, de vanguarda social, incumbido de levar a nação, pelo nariz e a contragosto, para onde apontam os narizes e os gostos de seus membros. Já não falo em substituir-se ao Congresso Nacional que esse está nem aí para o que acontece, contanto que não faltem cargos e emendas necessárias à preservação dos mandatos. Raríssimas vozes se ouvem, ali, apontando os devidos limites às vontades da Corte.

Mas o que está acontecendo eram favas contadas. A partir de Fernando Henrique Cardoso, por 16 anos consecutivos, as indicações para o STF são buscadas no mesmo nicho. Embora a esquerda goste de dizer que FHC era neoliberal, o fato é que ele e Lula pertencem à mesma extração esquerdista, com diferenças apenas no nível intelectual. FHC é um Lula de salão nobre, com doutorado, ao passo que Lula é um FHC de piquete grevista e curso primário. Lula defende a cachaça e FHC, no melhor estilo da esquerda dos anos 60, de Woodstock, da contracultura, oitentão modernoso que é, defende a maconha. Aparta-os a política, não as ideias. Os indicados por ambos formam 80% do Supremo e não faz muita diferença o fato de que Lula tenha escolhido boa parte dos seus no partido e no partidão. As cabeças são parecidas. As disputas que por vezes se esboçam entre eles são, essencialmente, de beleza. Temas para espelho mágico. De nada vale, então, aguardar o futuro porque o futuro não nos reserva algo melhor. Os ministros mais antigos e mais próximos da compulsória são os dois Mello - o Celso e o Marco Aurélio. Estão piorando com a idade e com a vaidade. Gravitam no mesmo círculo filosófico dos demais. E só saem, respectivamente, em 2015 e 2018.

Viram no que deu, este país ficar votando compulsivamente na esquerda? A mesma sociedade, majoritariamente conservadora, cristã, consciente da importância dos valores tradicionais, ao votar na esquerda por motivos menores, é obrigada a assistir suas posições maiores - religiosas, filosóficas e morais - serem desrespeitadas e ridicularizadas nos votos e nas decisões dos ministros do Supremo.
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Percival Puggina (66) é titular do blog www.puggina.org, arquiteto, empresário e escritor, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões. Puggina gentilmente nos autorizou a publicação de seus artigos.
Siga Puggina no Twitter: @percivalpuggina

terça-feira, 31 de maio de 2011

Homofobia, uma idiotice sem tamanho - Por Fernando Camelier









As pessoas ficam divididas por um assunto que é tão básico. Cada pessoa tem o direito de escolher a sua parceria sexual e isso é algo que cabe a cada um não tendo o outro nada a ver com isso.
Agora se deve ter em mente que direitos também trazem atrelados os deveres e o respeito ao próximo é o mais importante de todos.
Por exemplo, nas passeatas gays se vêem milhares de pessoas demonstrando publicamente o afeto sexual que tem uns pelos outros esquecendo que em uma relação o mais importante é que se resguarde a imagem de seu parceiro e a sua própria.
Recebi recentemente um e-mail com uma carta aberta de um gay que, pelo que me parece, é um dos poucos sensatos que existem por aí.
Resumindo, essa carta diz que ele se sente normal como qualquer heterossexual e em sua opinião, expressar sexualidade é uma doença.
Depravados, pedófilos, pervertidos machões mulherengos e bichas loucas estão no mesmo barco. Paradas gays são uma apologia à bizarrice e ao uso de drogas em que ele chama de movimento de bichas enlouquecidas que querem transformar o mundo em um grande puteiro-hospício gay.
Aceitação é simples e deveria ser normal, aceitar a sexualidade de cada um é algo que não vai tirar pedaço de ninguém, desde que isso não influa em si próprio. É aquele lance de “O seu direito termina onde começa o direito do próximo”.
Não vou aprofundar o assunto, pois esse não é o foco, mas alertar que existem muitas outras coisas mais importantes pra se preocupar, como por exemplo, a corrupção que gera a falta de cultura e educação que estão presentes em TODOS os setores da sociedade.
Com esse artigo não quero julgar quem esteja certo ou errado, apenas quero demonstrar que em todos os lados há disparidades que ao serem corrigidas farão com que o mundo seja um lugar melhor de se viver. Precisamos acabar com a intolerância em todos os sentidos e procurar viver uma vida de paz.

sábado, 21 de maio de 2011

Ensaio do Professor Rei


Tenho viajado semanalmente de São Paulo para Belo Horizonte, às vezes para Salvador, Joinville e Brasília. Nas últimas semanas tenho observado melhor o movimentos, especialmente nos aeroportos. Chego em Guarulhos por volta de 5h da manhã. São filas de táxis, filas para check-in, filas para se tomar um café (tem dia que eu desisto), filas e aglomerados de gente nas salas de embarque. Voos lotados. O mesmo se repete no desembarque no destino final da viagem. Mal o avião para já tem gente que vem do fundo da aeronave e se posta lá na frente. Depois, as mesmas filas (em BH tem a fila do banheiro também).

Daí eu tenho pensado: prá que tudo isso? Por que? Será mesmo preciso esse movimento todo? E essa pressa?

Será que não podemos fazer as mesmas coisas, obter os mesmo resultados ou até melhores fazendo as coisas com mais calma, mais “devagar”? Prá que essa competição desenfreada? Isso está nos levando aonde?

A pressa parece que ficou decretada pela internet e pelos processadores cada vez mais rápidos de que dispomos. É incrível como a gente não tem paciência de esperar poucos segundos para acessar uma informação (e criticamos o sistema que está lento). Aí obtemos a informação e fazemos o que com ela? Que decisão tomamos? O que ela acrescenta?

Em meio a essa confusão toda, em que melhoramos como pessoas?

Tudo parece ter como pano de fundo a competição. Odeio esses programas de televisão, principalmente entre candidatos a chefes de cozinha, em que tudo tem que ser feito rápido senão o pobre coitado será eliminado. Precisa mesmo disso tudo?

Parece que o foco da sociedade é o resultado e não o resultado através de pessoas felizes e saudáveis.

Tudo é “fast”, mesmo com alguns equívocos... Por exemplo, a “fast food” não é uma comida rápida. É um comer rápido, já que a comida, até nos ser apresentada pronta, percorre um longo caminho, às vezes atravessa continentes... Precisamos ou devemos mesmo comer tão rápido?

E o “ fast” também vira um padrão de comportamento, de reconhecimento. As pessoas querem aparentar serem muito rápidas em tudo para terem diferenciação, para estarem integradas... mas e os resultados? E as pessoas? E a felicidade? Afinal, para que nós vivemos?

Isso é só um desabafo... Vamos pelo menos tentar ser felizes.
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Reinaldo Moreira foi meu professor de Logística na FIB (Estácio de Sá), um dos professores que mais me ajudaram a entender que aprender era algo fácil.

domingo, 15 de maio de 2011

Webjet: Suicídio nos ares por Káthya


Comprei o bilhete aéreo através da internet saindo de Salvador com destino a Fortaleza no vôo 5834 saindo às 15h33min e chegada ás 17h20min h; ao falar com amigos fui alvo de gozação tipo: “vai de “buzu” /ônibus que voa, cuidado porque você poderá tentar levantar, e o assento não se desprende de tão apertado que fica o espaço para as pernas, a tripulação deve ter feito curso para transporte rodoviário, o que vai deixar de herança para os amigos, já fez o testamento “... E por aí vai. Confesso que até briguei e arrisquei.
Ao chegar para despachar a mala encontrei várias pessoas que se amontoavam, e não sabiam a quem se dirigir vez que no balcão da companhia não havia informação do cancelamento do vôo. Sem ainda acreditar e após várias tentativas fui informada de que deveríamos aguardar até ás 16 horas para ir ao balcão da TAM. Pensei comigo mesma: Isso não esta acontecendo!
De repente, uma moça ainda com ar de quem estava acordando diz:
- Cheguei agora e só sei que houve problema na aeronave, falem com a supervisora.
Procurei a tal pessoa e fui atendida por um homem que era da Empresa e apenas confirmou que não haveria o vôo, que também achava um absurdo, que sentia muito se eu teria prejuízos em negócios com hora marcada em meu destino, mas ele não tinha jeito a dar.
Liguei para a ANAC prestei reclamação, recebi número de protocolo, porém sentei e esperei até ás 20h43min h quando embarquei na TAM e fui cordialmente tratada por toda a equipe desde o balcão no aeroporto até o desembarque.
Entretanto, o que seria de mim que já estava com o bilhete para retornar no domingo pela webjet no vôo 6720 ás 15.37 horas? Mais uma vez preferi não pensar no pior e quando o tal webjegue decola, o desespero: um calor insuportável, passageiros reclamando em voz alta, as aeromoças (?) despreparadas e mal educadas, o caos estava estabelecido e o jeito foi orar.
E DEUS nos ouviu porque ao pousar estupidamente no Aeroporto Luís Eduardo Magalhães ouvimos um estouro tremendo, um fedor de fuselagem queimando, e antes mesmo que ouvíssemos a mensagem para levantar estávamos de pé, e aterrorizados ouvimos em voz alta a tripulação comentar acidente com a aeronave.
Só me restou olhar para os que ainda iriam até Porto Alegre e dizer: CORAGEM! Se trocarem para outra companhia agradeça e siga rápido, pois só posso sugerir que a WEBJET inove oferecendo pacotes com as aeronaves em solo para que as crianças possam ter idéia do que poderia ser um avião... Nem pensar em voar!
Respeito, dignidade, cordialidade, segurança, princípios básicos para com os deveres da aviação estão totalmente desconhecidos quando se trata da WEBJET, portanto se pretende arriscar a sua vida, siga em frente e cometa um suicídio nos ares.
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Káthya tem alguns artigos publicados no blogstorm. Confira nos artigos anteriores.
Putz... Depois desse relato nem pensar mais em voar na Webjet. Na Web só navegar...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Defesa de um modelo Por Ronaldo Mota Sardenberg

Matéria publicada no Globo em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/01/31/defesa-de-um-modelo-923646777.asp no dia 31/01/2011.


As agências reguladoras são de grande relevância no cenário institucional brasileiro. A Agência Nacional de Telecomunicações, Anatel, foi a primeira instalada no Brasil, há 13 anos, com o objetivo de regulamentar, fiscalizar e outorgar serviços públicos. Para isso, alicerçou-se na universalização, na competição e na qualidade dos serviços.
Os êxitos do atual modelo das telecomunicações são fruto, entre outros fatores, da atuação da Agência na organização do mercado, por meio de marco regulatório consistente, e na correção e punição de condutas irregulares. O consumidor, o cidadão brasileiro, pode contar com o empenho da Anatel em propiciar as condições para que ele possa exercer plenamente seu direito à comunicação e, assim, desempenhar atividades essenciais ao seu crescimento social, cultural e econômico.
Exemplo da preocupação da Anatel com os usuários de serviços de telecomunicações está no lançamento pela Agência, há dois meses, do Plano de Ação Pró-Usuários, conjunto de esforços para ampliar a participação da sociedade no processo regulatório, contemplar com recursos os mecanismos de controle social e fortalecer a promoção da proteção dos direitos dos consumidores dos serviços de telecomunicações, no âmbito da Anatel.
Não se pode deixar de mencionar a recente revisão do Regulamento sobre Áreas Locais para o Serviço Telefônico Fixo Comutado, que permitirá a realização de chamadas telefônicas a custo de ligação local entre todos os municípios de uma mesma região metropolitana ou de região integrada de desenvolvimento que possuam continuidade geográfica e o mesmo código nacional de área. As novas regras deverão beneficiar quase 70 milhões de pessoas em todo o Brasil.
Hoje, todos os municípios contam com os benefícios das telefonias fixa e móvel. Em 2010, o Brasil superou a marca de 200 milhões de celulares, com mais de um celular por brasileiro - índice que coloca o País na quinta melhor posição mundial - e a telefonia fixa conta com cerca de 60 milhões de acessos instalados. A competição é uma realidade na telefonia móvel e na TV por assinatura, e ninguém melhor que o consumidor para atestar os avanços conquistados.
A Agência também tem adotado providências para que redes e serviços sejam suficientes ao cumprimento dos compromissos firmados pelo País para a realização de eventos esportivos de projeção internacional. Desde 2007, por ocasião dos preparativos aos Jogos Pan-Americanos, a Anatel definiu um grupo de técnicos que se reúne periodicamente com o objetivo de realizar ações para atendimento adequado às demandas de eventos como o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, o carnaval do Rio, os Jogos Mundiais Militares (2011), a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).
A qualidade dos serviços de telecomunicações, no entanto, precisa avançar e é permanentemente objeto da fiscalização da Anatel junto às prestadoras. Na visão da Agência, fiscalizar é zelar pela continuidade e pela qualidade dos serviços, bem como pelo atendimento adequado aos usuários.
Na era da informação, com a evolução da tecnologia analógica para a digital, é fundamental que a Anatel tenha plenas condições de combater o número crescente de reclamações e a repetição de falhas que afligem os consumidores. É inaceitável a perpetuação dos altos índices de reclamações, como os erros de cobrança em conta - maior ofensor registrado pela Central de Atendimento, que apenas em 2010 registrou mais de 3 milhões de ocorrências. O trabalho de proteção e defesa dos direitos dos consumidores é esperado e cobrado pela sociedade; trata-se de missão estabelecida na lei de criação da Agência e na própria Constituição.
Nesse sentido, a Anatel trabalha para aprimorar sua fiscalização, sem descuidar da garantia constitucional do sigilo dos dados pessoais dos usuários, passando a processar de forma informatizada, com maior confiabilidade e agilidade, as informações fornecidas pelas empresas.
Os softwares de análise de registros de chamadas, adquiridos pela Agência, como recentemente noticiado, permitem acesso a informações brutas numéricas e codificadas, não relacionadas a dados cadastrais de usuários.
Com elas, será possível confrontar informações sistêmicas com padrões de tarifação - sem invadir a privacidade dos consumidores. Os aplicativos não permitem acesso remoto, nem em tempo real, ao tráfego das centrais; eles apenas leem as informações encaminhadas pelas prestadoras, para adoção de providências pela Anatel.
Esse procedimento é rotineiro e executado, desde a criação da Anatel, a partir de dados fornecidos pelas empresas para aferir a qualidade e a confiabilidade dos serviços e para atender a reclamações específicas de usuários. Sem essas informações, tendo em vista o crescimento do setor, vai-se tornando cada vez mais difícil fiscalizar o cumprimento das obrigações legais e regulamentares impostas às prestadoras.
É importante reafirmar que a fiscalização da Agência não tem, nem terá, acesso ao conteúdo das comunicações, ou seja, às conversas e mensagens trocadas entre os usuários.
A Anatel tem pautado sua atuação pelo respeito ao marco constitucional e legal, de forma a preservar e zelar pelo sigilo dos dados privados de usuários e de regulados.
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RONALDO MOTA SARDENBERG é presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O vírus, a invasão e Salvador. Por Eric M. Delgado


Chega de hipocrisia! O maior problema de Salvador nunca foi o Aeroclube, nem a praia, nem o transporte público, nem o engarrafamento. Este é conhecido no Rio de Janeiro como favela; aqui, em Salvador, usa-se uma linguagem mais culta: invasão. Independente de como é conhecido, o uso irregular e descontrolado do solo se transformou num vírus em Salvador. Num dia, a invasão possui 3 barracos; noutro, são 10 casas de bloco; noutro, é um bairro. Que o diga os "bairros" Bate-Facho, Gamboa de Baixo, Planeta dos Macacos, Bairro da Paz, Nordeste de Amaralina, e a lista continua... e não acaba. A energia, normalmente "gato"; o esgoto, inexistente; acesso às redes de telecomunicações, apenas telefonia fixa e olhe lá! E a lista de falta de infraestrutura também não acaba... não há escola, hospital. E o Estado não apresenta um projeto para eliminar as invasões, pois, inevitavelmente, este demoraria 5, 10 ou 20 anos para ser finalizado. Mas, independente deste projeto existir ou não, é certo que não teria sucesso se as invasões que surgem no dia a dia não forem contidas no seu início. O Bate-Facho era formado por poucas barracas. Hoje é um bairro e sua piscina é a Lagoa de Pituaçu. E os outros, as pessoas que pagam IPTU e moram na Pituba, Barra e Ribeira, têm medo de frequentar a Lagoa, que era, para mim, até mais impressionante do que o Farol da Barra, quando vista de um avião. Hoje, apesar de um avião voar alto, é possível ver o Bate-Facho e, do outro lado, apenas o grito mudo do Estado, mais uma vez, perdendo força. A invasão ganhou. E ganha força, também, em outros terrenos espalhados na cidade, principalmente os públicos, como, por exemplo, o terreno atrás do Bom Preço da Orla, ao lado do Restaurante Picuí, que está ocupado por cerca de 7 barracos há meses. Não precisa ser vidente para ver o Estado se omitir e esse terreno, que é reservado para uma praça que nunca saiu do papel, ser ocupado por 50, 100 ou 200 casas de bloco. Não culpo os invasores. Estes são, normalmente, pobres. Culpo a União que mês após mês bate recorde de arrecadação. Culpo o Estado que abandonou a Ilha de Itaparica por mais de uma década e agora vem com utopia: a ponte. Com o dinheiro dessa ponte é possível reestruturar Salvador, eliminando boa parte das invasões e levando dignidade às pessoas. Culpo, também, é claro, a Prefeitura que se omite na fiscalização. Afinal, onde está a Sucom que não averigua as demandas cadastradas no Salvador Atende?!? Afinal, o que é mesmo o Salvador Atende?!? Nos últimos meses fiz dezenas de solicitações, mas nenhuma delas foi solucionada. Quando uma denuncia aparece no jornal, contudo, aí está a Sucom posando para fotos, controlando o uso do solo. Meu Deus, cansei de usar o seu nome em vão. Como diria Rocha, vilão de Tropa de Elite 2, "quer me f... me beija antes".
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Eric é colaborador do Blogstorm.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ABANDONO NA NOITE DE NATAL - Por Andréia Terciotti Dioclecio

ABANDONO NA NOITE DE NATAL
A triste realidade dos menores abandonados nas noites da cidade grande.

Vinte e quatro de Dezembro, faltando poucos minutos para um novo dia e o menino deitado na calçada sonha acordado, porém de olhos fechados.
E sonhava com tantas coisas absurdas. Quem eram seus pais? Onde estavam seus irmãos? Quando sairia daquela situação? Será que dessa vez Papai Noel lhe traria o carrinho de brinquedo que esperava desde os quatro anos de idade?
Talvez nem fosse esse o seu sonho, mas a sua realidade estava repleta de maus momentos, pois estava morrendo de fome, enjoado pelo mau cheiro do corpo causado pela falta de roupas limpas e de um lugar para tomar banho, cansado de vagar por muitas horas a fio pelas ruas.
Por que nesse momento não aparece ninguém? Nem benfeitores travestidos de Papai Noel, nem os funcionários da Prefeitura que justamente hoje estão em suas casas cuidando de suas famílias. Não aparecem os defensores dos direitos humanos e nem os políticos que, a cada quatro anos, prometem cuidar da sociedade.
A noite de Natal celebra o nascimento do menino Jesus, todos deveriam refletir sobre o sofrimento dos pais desse menino, que se tornaram santos por conseguir trazer à luz, uma criança que ainda iria mudar o mundo de alguma forma e jamais gostaria de ver um dos seus nessa situação.
Aquele menino também esperava mudar o seu mundo, queria ser um doutor e ter a capacidade de mudar a sua própria vida, mas não tinha acesso a educação.
Queria um lar de paz, longe das prostitutas e dos traficantes que o puseram sozinho no mundo, mas como eles, era viciado em drogas.
Queria apenas um colo onde pudesse receber um carinho ou um consolo antes de voltar às ruas que o acolhiam.
Enfim, o menino acabou adormecendo ao relento, cansado da frenética busca por um abrigo e, justamente nessa noite, quando todos comemoram o Natal de Nosso Senhor, iria dormir na rua sem direito a um prato de sopa ou um cobertor para se abrigar do frio.
E adormeceu sob a luz do poste, sem saber se conseguiria abrir os olhos ao amanhecer, pois estava entorpecido de tanto cheirar o tubo de cola de sapateiro que conseguira trocar por umas peças roubadas de uma loja do centro da cidade.
E os seus sonhos? Será que ainda encontraria o seu presente na única meia furada que tinha? Ou a ventania carregaria seus trapos e sonhos que sumiriam na sarjeta?
E assim seguiu sonhando acordado com os olhos fechados, até que seu único e fiel companheiro, um cão abandonado, o deixou a par da realidade ao acordá-lo desse sonho irreal. Lambeu-lhe o rosto clamando por um pouco de atenção e carinho, para juntos saírem à busca de algum alimento para abrandar a fome.
Essa é a cruel realidade que pode ser encontrada nas esquinas de algumas capitais ou grandes cidades brasileiras. Não só na noite de Natal, mas também nesse exato momento, bem pertinho da sua casa a espera de sua atitude.
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Andréia Terciotti é profissional de Recursos Humanos

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

DIA DAS CRIANÇAS - Por Kathya

Nesse dia das crianças
Não direi apenas do meu Brasil
Gritarei a todos os povos
Da discriminação ao mundo infantil.
Dos adolescentes que sobrevivem
A fome, a miséria
A falta do mundo estudantil.
Lembrarei que somos responsáveis
Na Constituição de 1988
Do Estatuto que surgiu.
Nesse conjunto de leis
A criança é sujeito de direito
Tanto á vida quanto a saúde.
Não mais escola para os mais ricos
Nem a separação da família para que trabalhem.
Não podemos ser omissos
Enxergar e não ver.
- É preciso acolher!
Para mais tarde não sofrer.
Cabe ao adolescente o direito ao voto.
Aos deficientes, receber tratamento médico e educacional.
Trabalho para menores de quatorze anos é proibido
(salvo se na condição de aprendiz).
Os trabalhos noturnos são proibidos
Mas não é o que se vê por aí.
É expressamente proibida a venda de armas e explosivos
Bebidas alcoólicas, bilhetes de jogo e loteria.
E aos transgressores da lei?
- Que sejam internados em local adequado
E que possa ser auxiliados.
Porque também são filhos do País.
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Kathya é, dentre muitas outras coisas, minha amiga e autora do romance "O segredo do cadeado"